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31/12/2010 - 00h00

Os chinelos de Helena Heluy

- JORNAL PEQUENO – Edição de 31 de dezembro de 2010 às 10:27

A deputada Helena Heluy cometeu, ontem, seu último ato político como deputada estadual. Reuniu a nata dos movimentos sociais do Maranhão que em manifestações rápidas e fluentes prestaram por ela contas do que foi sua vida parlamentar em 12 anos de combate às estruturas de poder do Estado e, em grande parte, do país.

Foi um ato solene, mas carregado de desprendimento no qual as pessoas recordaram lutas históricas do Maranhão ocorridas a partir da década de 60. Nele foi possível ouvir a Comissão Justiça e Paz a destacar a dedicação do mandato em prol de crianças e adultos, índios e negros e a trajetória de uma parlamentar cuja atuação política se iniciou no Centro Clodomir Cardoso, ainda no Colégio Santa Teresa. Uma atuação que carregaria seus arraigados ideais Justiça para funções que assumiria mais tarde como as de advogada, professora, promotora, procuradora, vereadora e deputada. Helena ali foi tratada como uma espécie de profeta da Justiça em defesa dos oprimidos, de presença quase inevitável nas audiências públicas, sempre envolvida nos mais graves problemas do Estado como a luta pela terra. A própria origem de seu nome, Helena, a significar tocha, fogo de amor, luz que brilha, serviu para que representantes dos movimentos sociais explicassem a trajetória política da parlamentar.

A presença de representes de sindicatos como o Sindomésticas, do Movimento Negro e de homens e mulheres vindos do interior do Estado, completaram aquela saudação traduzida nas palavras simples de uma mulher: “ela nunca vai deixar de lutar pelas pessoas”. Tudo remontou aos interesses e compromissos com as causas dos povos. Helena foi saudada pelo Dia Nacional da Consciência Negra, pelo combate à discriminação e racismo, pelo engajamento total nas lutas sociais das mulheres.

A presença de personalidades da política e da política sindical maranhenses, como o vice-governador Washington Oliveira, a doutora Sandra Torres, a professora Florilena Aranha, o secretário José Antônio Heluy, dentre outros, marcaria aquele solenidade que, estranhamente, não conseguiu entrar em clima de despedida. E a doutora Sandra Torres diria que quando se está comprometido com as causas, a luta não é um fardo ou sacrifício. E Florilena Aranha lembraria o quanto o mandato de Helena Heluy significou em termos de abertura para os movimentos de mulheres do Maranhão.

Estavam representados a CUT, a seção de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, a Pastoral da Mulher, a Defensoria Pública, entidades que por si só resumem esses anos todos de batalha política contínua de Helena Heluy e incessante engajamento aos nobres ideais que norteiam a Justiça. Todos ali preferiam que ela permanecesse parlamentar por muito mais tempo e lamentavam seu desencontro com a tribuna. Até que uma filha sua acalmasse todos os espíritos. “Ela não vai conseguir calçar os chinelos. Foi assim em todas as suas atividades. Ela deve estar inventando alguma outra coisa para fazer”.

Para todos que acompanharam a trajetória de Helena Heluy, é melhor que seus chinelos continuem descansando em algum canto da casa.



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Helena Barros Heluy